Em tempos numa acção de formação sobre “motivação no local de trabalho” a formadora questionou-nos se trabalhávamos porque éramos obrigados ou de livre vontade.
Claro que a maioria respondeu que éramos obrigados a trabalhar.
Bem vistas as coisas ao fim de vinte e tal anos a trabalhar no mesmo local com as mesmas pessoas, já não vamos para o trabalho a cantar como os 7 anões…
O que é certo é que com conversa de psicóloga ela convenceu-nos que todos íamos trabalhar porque queríamos e de livre vontade. Isto porque tínhamos sempre a opção de decidir ir ou não trabalhar. Pois não tínhamos uma arma apontada á cabeça a obrigar-nos a ir para o local de trabalho.
Já passaram alguns anos desde a dita formação.
Encontro-me agora a questionar-me se vou ou não para o trabalho de livre vontade.
Pois não vou (sempre)!
Algumas vezes vou satisfeita e com vontade de pegar o touro pelos cornos, outras vezes vou com vontade de fugir do touro, do toureiro e da arena toda, mas vou…
Porque é que vou? Pois, porque me sinto obrigada a ir.
Assinei um contrato em que me comprometia a ir trabalhar todos os dias menos os de férias, por isso tenho de ir.
Também vou porque preciso do vencimento ao fim do mês, e por lá ainda pagam todos os meses.
Ás vezes pergunto-me se sou só eu que sinto esta vontade de ir trabalhar por obrigação? Haverá outros? Ninguém diz nada? Tem vergonha?
E quando a gente diz a alguém: hoje não me apetecia ir trabalhar e respondem-nos com aquela conversa: tens muita sorte em ter trabalho nos tempos que correm… há quem não tenha e gostaria de ter.
Bolas só porque estamos em crise já não podemos sentirmo-nos fartos do trabalho?
Não sei!
E pronto vamos lá trabalhar…
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Publicada por saltos altos, acessórios e trabalho
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